Autódromo Internacional Ayrton Senna entra no radar da principal categoria de monopostos dos Estados Unidos; negociações avançam e equipes já teriam sido alertadas sobre uma possível viagem ao Brasil
O retorno da IndyCar ao Brasil deixou de ser apenas uma possibilidade distante e começa a ganhar contornos mais concretos. Goiânia aparece atualmente como a principal candidata a receber uma etapa da categoria em 2027, o que encerraria um jejum de 14 anos desde a última corrida realizada em território brasileiro.

O cenário ganhou força nas últimas semanas após novas conversas entre a organização da IndyCar e representantes de Goiás. O Autódromo Internacional Ayrton Senna, que passou por importantes intervenções estruturais e recebeu o Mundial de MotoGP em março deste ano, tornou-se o centro das negociações.
Segundo o portal norte-americano RACER, a IndyCar já teria orientado equipes e pilotos a se prepararem para uma possível viagem ao Brasil em 2027. A informação, no entanto, não significa que a prova esteja oficialmente confirmada no calendário.
Mark Miles já visitou Goiânia três vezes
Um dos principais sinais de que o projeto ganhou relevância está na participação direta de Mark Miles, presidente e CEO da Penske Entertainment, empresa responsável pela IndyCar.
Miles esteve em Goiânia acompanhado de representantes da categoria para avaliar pessoalmente o autódromo, a estrutura disponível e as condições logísticas para uma eventual etapa internacional. De acordo com o RACER, o executivo já realizou três visitas ao circuito goiano.
Na visita oficial realizada em abril, a comitiva também contou com representantes da IndyCar para a América Latina e profissionais ligados à logística da categoria. O grupo avaliou as instalações e conheceu a estrutura utilizada durante o retorno da MotoGP ao Brasil.
O Governo de Goiás confirmou as tratativas e manifestou publicamente o interesse em levar a IndyCar para Goiânia já em 2027.
Circuito passou por uma transformação
A infraestrutura é um dos principais argumentos a favor de Goiânia. O Autódromo Internacional Ayrton Senna recebeu uma ampla remodelação antes da chegada da MotoGP, incluindo a reconstrução da camada asfáltica.
O circuito possui certificação Grau 2 da FIA, condição que o coloca entre as pistas brasileiras aptas a receber diferentes categorias internacionais. O traçado tem aproximadamente 3,8 km, 14 curvas e características que podem favorecer corridas com disputas e diferentes estratégias.
Mas as obras não terminaram com a realização da MotoGP. Informações divulgadas em agosto apontaram para uma nova intervenção no pavimento, com aplicação de uma nova camada de asfalto e ajustes na composição do material. Segundo o jornalista Téo José, a especificação teria levado em consideração exigências apresentadas por um engenheiro ligado à IndyCar.
O próprio Tribunal de Contas do Estado de Goiás também acompanhou intervenções relacionadas à pavimentação e drenagem do autódromo, evidenciando a dimensão das obras realizadas no complexo.
Brasil não recebe a Indy desde 2013
Caso o acordo seja concretizado, a etapa de Goiânia representará o retorno da IndyCar ao país depois de mais de uma década.
A última prova brasileira aconteceu em 5 de maio de 2013, no circuito temporário montado na região do Anhembi, em São Paulo. A corrida daquele ano foi vencida pelo canadense James Hinchcliffe, que superou Takuma Sato por apenas 0s346.
Aquele foi o último capítulo de uma passagem da categoria pelo Brasil que começou em 2010 e teve o circuito de rua paulistano como palco das últimas quatro edições.
Desde então, a IndyCar não realizou nenhuma corrida fora dos Estados Unidos e do Canadá. Uma eventual etapa em Goiânia, portanto, também representaria uma mudança importante na estratégia internacional da categoria.
Por que Goiânia virou favorita?
O momento é particularmente favorável ao projeto goiano.
A cidade acaba de demonstrar capacidade para receber uma categoria mundial de grande porte com a realização do GP do Brasil de MotoGP, enquanto o autódromo ganhou melhorias significativas em sua infraestrutura.
Além disso, a possibilidade de utilizar uma pista permanente, em vez de um circuito de rua, oferece à IndyCar uma alternativa diferente daquela encontrada em sua última passagem pelo país.
Outro fator é o interesse declarado do Governo de Goiás em transformar grandes eventos internacionais em ferramentas de promoção esportiva e movimentação econômica. Durante a visita dos executivos da IndyCar, o governo apresentou dados relacionados ao impacto provocado pela MotoGP e defendeu a capacidade do estado para receber novamente uma competição internacional.
Etapa ainda não está confirmada
Apesar dos avanços, é importante separar negociação avançada de confirmação oficial.
Até o momento, a IndyCar não anunciou oficialmente Goiânia como integrante do calendário de 2027. A informação de que equipes e pilotos foram orientados a considerar uma possível viagem mostra que o projeto ganhou força, mas ainda depende da conclusão das negociações e de um acordo definitivo.
O próprio histórico recente das conversas indica que ainda existem etapas a serem cumpridas antes do anúncio.
Por outro lado, o fato de a categoria já avaliar logística, infraestrutura e preparação das equipes representa um avanço considerável em relação às primeiras especulações.
Goiânia pode recolocar o Brasil no mapa da Indy
Se o acordo for fechado, a corrida em Goiânia terá um peso que vai além de uma simples etapa do campeonato.
O Brasil possui uma história relevante na IndyCar, com nomes como Tony Kanaan, Hélio Castroneves, Gil de Ferran e Emerson Fittipaldi ligados à trajetória da categoria. A volta da competição também recolocaria o país no calendário internacional de uma das principais séries de monopostos do mundo.
Por enquanto, a palavra é possibilidade. Mas, com três visitas de Mark Miles ao circuito, novas intervenções no autódromo e equipes já sendo preparadas para uma eventual viagem, Goiânia parece ter avançado para uma posição privilegiada na disputa pela volta da IndyCar ao Brasil.
Se todos os detalhes forem concluídos a tempo, 2027 poderá marcar não apenas o retorno da Indy ao país, mas também a estreia da categoria em um novo palco brasileiro: o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia.
